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Quem é Fernando Pessoa

Para descobrir quem é Fernando Pessoa, talvez seja oportuno começar pelo seu apelido, Pessoa, do latim persona: máscara. Pessoa foi, de facto, poeta das muitas caras e dos muitos nomes, tendo passado a vida a inventar autores fictícios, chamados heterónimos. Também graças a esta peculiaridade, hoje é considerado um dos maiores poetas da contemporaneidade, o mais famoso e importante de Portugal.

A Vida e o homem

Pessoa nasceu em Lisboa a 13 de junho de 1888, na elegante zona do Chiado. Por razões familiares, viveu entre a infância e a adolescência no Império Britânico, nomeadamente na África do Sul. Este período (1896-1905) passado na cidade cosmopolita de Durban, deixou um forte marco na sua vida. Em 1915 Pessoa funda a revista Orpheu, que introduz o Modernismo em Portugal. Muda frequentemente de morada durante a década de 1910, chegando a viver também na zona do Carmo, perto de onde se encontra o Lisboa Pessoa Hotel. Em 1920, instala-se num apartamento em Campo de Ourique, num edifício que hoje hospeda a Casa Fernando Pessoa, imprescindível centro cultural para quem queira saber quem foi o homem chamado Fernando Pessoa.

O poeta conduzia uma vida aparentemente anónima, com pouco dinheiro, trabalhando como tradutor de documentos comerciais. Seu amor totalizante era a literatura. Sentia-se um génio e dedicou-se constantemente a esta sua «missão». Aos sentimentos deixou pouco espaço, mas pelo menos uma mulher – Ofélia Queirós – ficará na história como a namorada à qual o tímido génio enviava cartas cheias de carinho. Pessoa faleceu a 30 de novembro de 1935, em Lisboa, deixando, em milhares de papéis inéditos, uma das obras mais geniais da história da literatura. Para saber quem é Fernando Pessoa, é, pois, preciso conhecer os seus textos, já que, como afirmou Octavio Paz, a biografia de um poeta é a sua obra.

A obra, os heterónimos

O marco que faz de Pessoa um escritor originalíssimo é a invenção de autores fictícios – os heterónimos – que «escreveram» partes da sua obra. Cada um deles «tem» uma personalidade, uma biografia, uma fisionomia, um caráter e um estilo literário definidos, diferentes dos outros e do próprio Pessoa «ortónimo», isto é, dele mesmo. Os principais «amigos imaginários» de Pessoa são os poetas Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos: Caeiro, poeta bucólico e (anti)filosófico, é o «mestre» dos heterónimos; Reis o neoclássico cantor de um novo paganismo; Campos o modernista exuberante do «sentir tudo de todas as maneiras». Merece menção especial Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego, diário íntimo feito de sonhos e reflexões. E Pessoa-ortónimo? Ele não é apenas o demiurgo que inventa esta coterie imaginária e que nela joga um papel relevante.

É também o poeta da Mensagem, único livro em português publicado em vida, conjunto de poemas dedicados aos heróis e mitos de Portugal, numa projeção universalista que olha a um futuro de grande cultura para Portugal e para a humanidade. Este futuro somos nós: leitores dos textos que ele guardou numa lendária arca – o espólio de Pessoa –, cheia de papeis, muitos ainda por publicar. Afinal, quem é Fernando Pessoa? Difícil responder, porque cada heterónimo e cada instante foram para ele uma «eterna novidade», cheia de poesia e beleza. Uma beleza que também tem a luz e as cores de Lisboa, a sua amada cidade, por ele magistralmente cantada. Fragmentário, contraditório, irresistível no seu labiríntico fascínio, Pessoa é autor por descobrir, com dezenas de facetas. Da poesia à filosofia, à crítica literária, à psicologia… O génio de Pessoa desassossega-nos pela multiplicidade e deixa-nos com uma grande e fundamental questão, sempre aberta e desafiante: quem somos nós?